21-03-2015

A casa assombrada

Sério?! John Boyne escrevendo um livro de terror? Mas é claro que eu fiz meus corres para ter o livro logo. E uma coisa me assombrou muito nesse livro ( além dos fantasmas), foi a capacidade de John Boyne de se reinventar, mesmo sendo um escritor contemporâneo, ele conseguiu transportar tanto seus personagens, quanto sua linguagem e estilo, para a época dos clássicos, em um romance assustador e reflexivo. Durante as 5 primeiras páginas do livro, aconteceu uma total frustração das minhas expectativas. Começa lento, informação demais, um monte de coisas soltas… Uma verdadeira colcha de retalhos. Felizmente, foi só nessa parte que fiquei frustrada. Depois das introduções revelando um pouco sobre os personagens, a verdadeira história começa.

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Londres, segunda metade do século XIX. Imagine uma cidade fria, úmida e cheia de neblina, daquelas de não enxergar um palmo à sua frente. Agora adicione a isso ninguém menos que Charles Dickens lendo uma história de fantasmas. OMG!! É a introdução perfeita, Charles Dickens não é um personagem da história, mas a história acontece por causa dele. Eliza Caine é descrita como uma menina particularmente não atraente, aos 21 anos, sua vida é dar aula para suas pequenas em um colégio para meninas e cuidar do seu pai, um entomologista muito fã do escritor Charles Dickens. Apesar do tempo hostil, o pai de Eliza quer muito ir à uma leitura do escritor, e ainda que Eliza tentasse argumentar, o Sr. Caine não se deixou convencer pelo fato de sua saúde estar muito frágil, ao final do dia ele veio a falecer.

Em que momento, perguntei-me, nossos papéis se inverteram a ponto de eu, a filha, ser quem dava autorização para ele, o pai, sair de casa?

A pobre Eliza, sem sua família, sem um teto, responde a um anúncio no jornal para uma vaga de governanta no interior. E é lá que ela que tudo começa!!

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A narrativa é toda feita em primeira pessoa e nossa narradora é a Eliza, preciso dizer que no caso de um livro de terror eu prefiro narrativas assim, pois cria uma atmosfera de mistério. Eu gostei muito da personalidade da Eliza, tendo que lidar com a perda e o vazio, se jogando no desconhecido de um anúncio de jornal. E apesar de todas as perguntas que ela se faz, corre incessantemente atrás das respostas, ainda que o medo seja um enorme freio. Ela é realmente muito corajosa e principalmente muito difícil de se assustar, pois se acontecesse comigo metade do que aconteceu com ela na casa, eu teria com certeza saído MORRIDO.

(…) A questão é que você está aqui faz três semanas e só descobriu isso agora. Esperta como uma maçaneta, você, não? (…)

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Eu simplesmente detesto figuras infantis vinculadas ao gênero terror, porque elas me apavoram, e Isabella e Eustace ainda são construídos com esse ar de quem sabe mais demais, aparecem do nada em alguns lugares, tem conversas misteriosas e comportamento suspeito. O trabalho de John Boyne construindo um suspense apavorante em torno de tão poucos personagens deixa a história ainda mais densa. Mas ao mesmo tempo que é uma história que te deixa tenso, também te deixa ansioso por mais. Finalizei o livro em 3 dias, porque não conseguia parar, passei várias vezes da minha estação e do ponto que desço.

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Se você assim como eu curte outros trabalhos do autor, esse é um imperdível! E eu, como não sou fã de mistérios, recomendo a leitura de A casa assombrada o quanto antes!

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