25-03-2015

Caixa de Pássaros

Eu ainda estou sem fôlego para descrever esse livro! Terminei ontem à noite o livro Caixa de Pássaros do autorJosh Malerman que foi publicado aqui no Brasil pela a Editora Intrínseca, esse é o livro de estreia do autor que também é integrante da banda High Strung. A história do livro se passa em um mundo pós-apocalíptico, onde as pessoas devem ficar presas dentro das casas com as portas e janelas fechadas, impedindo que qualquer coisa passe por elas. Mas você deve está se perguntando, por que tudo isso?

Depois de uma série de suicídios e assassinatos que atingiu todo o mundo, as autoridades recomendaram que todos ficassem em casa até que tudo seja esclarecido. Mas todos começamos a perceber que uma olhada para o lado de fora, era fatal e significava apenas uma coisa: Suicídio. A única certeza em meio ao caos que se instala é de que há algo muito perigoso lá fora.

Ela imagina a casa como se fosse uma grande caixa. Quer sair daquela caixa. Tom e Jules, mesmo do lado de fora, ainda estão naquela caixa. O planeta inteiro está trancado nela. o mundo está confinado à mesma caixa de papelão que abriga os pássaros do lado de fora.

A narrativa em primeira pessoa, dividida entre Violet e Finch, parece uma escolha óbvia, mas em um certo momento fica claro que era mais do que um meio de narrar uma história e sim uma estratégia para fazer o leitor a sentir na pele. Mais do que ver o mundo com os olhos dos personagens, chega um ponto em que suas dúvidas e inquietações se tornam nossas e passamos a lutar contra os mesmos fantasmas que os perseguem. A dinâmica entre Finch e Violet é ótima. Nada entre eles é instantâneo ou forçado, o que faz com que nos apeguemos ainda mais aos personagens. Conforme eles se conhecem e se afeiçoam um ao outro, nós os conhecemos e nos afeiçoamos a eles.

É neste cenário aterrorizante que somos apresentados a Malorie, a principal protagonista da trama. Inicialmente cética quanto à ideia soprada aos quatro ventos de uma onda de mortes causadas pelo simples olhar a uma suposta “criatura”, ela logo se dá conta de que as notícias não são mera especulação ao presenciar o inesperado suicídio cometido pela própria irmã, e, em um momento crítico: quando Malorie descobre que está grávida.

Enquanto seu mundo pessoal desmorona e a sua irmã comete um suicído, em um ato de desespero ela resolve atender a um chamado publicado em um jornal local por um grupo de sobreviventes que havia se alojado em uma casa e que, em uma tentativa de manter contato com a civilização, ou com o que sobrou dela, resolve recrutar aqueles que estivessem dispostos a reagir a esta ameaça desconhecida. É assim que Malorie se junta a Tom, Felix, Jules, Cheryl, Olympia e Don, todos indivíduos que nunca se viram antes e que, pelas circunstâncias, passam a formar uma família.

Com a chegada de Gary, um novo e enigmático morador, a situação piora ainda mais e dúvidas sobre os estranhos acontecimentos observados passam a permear o já conturbado ambiente da casa. Gary questiona se realmente há algo desconhecido, uma criatura, tal como dito, ou se nada mais seria tudo isso do que o caos gerado por uma simples sugestão que, por sua vez, estava levando as pessoas a cometerem atos que, normalmente, não cometeriam. Mas, ao final das contas, nada parece o que é!!!

Para nos levar a refletir sobre esses contrapontos da estória, Malerman, alternando uma narrativa entre momentos passados (em que ele nos explica os acontecimentos que levaram àquele situação) e presentes (quando, depois de quatro anos desde sua chegada à casa e, agora, com duas crianças aos seus cuidados, Malorie resolve fugir e buscar refúgio em um novo lugar após uma catástrofe inesperada) nos faz mergulhar no íntimo de cada um dos personagens. Eles, por sua vez (e para a alegria dos leitores), são levados a encarar os próprios medos, a tomar medidas extremas, com consequências igualmente devastadoras, tudo isso em um mundo de recursos escassos, em que a única forma de sobreviver é manter os olhos fechados.

E é aqui que está o ponto alto da obra. O sentimento de claustrofobia é totalmente perceptível. Não há como permanecer incólume à agonia dos personagens, tampouco às suas angústias. Chega a ser deliciosamente desconfortável esta sensação. Os sentimentos narrados pela autor transbordam das páginas de uma forma incrível, o que aumenta, e muito, a imersão do leitor neste mundo.

A narração foi um ponto importantíssimo em Caixa de Pássaros. Este livrou provou que a narração em terceira pessoa deixa a história tão emocionante e tocante quanto a feita em primeira pessoa. Josh soube representar o desespero, o devaneio e a loucura perfeitamente através de suas palavras; soube me arrepiar, fazer-me ficar tensa e nervosa. A narração ganha grande parte do mérito dessa obra; sem excelência nela, Caixa de Pássaros não teria alcançado sua real potencialidade.

O homem é a criatura que ele teme.

Mas é um livro forte. É fundamental ter estômago para os detalhes macabros e cruéis que serão apresentados e claro, para suportar o letal suspense. Foi um dos poucos livros que conseguiu me conquistar nos primeiros parágrafos e manteve meu interesse até o fim. Os personagens foram muito bem desenvolvidos, pareciam tão reais que não consegui me despedir deles completamente.

E com esse livro, aumento minha WISHLIST com muitos livros de suspense e terror, vamos ver até onde eu aguento.

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