21-02-2015

Clube da Luta

Esse foi o livro do mês no blog Sernaiotto, eu simplesmente amei a ideia da Loma de criar um clube do livro, e o livro do mês foi Clube da Luta. Meu primeiro contato com Clube da Luta foi quando vi o filme dirigido por David Fincher, com Edward Norton e Brad Pitt no elenco. Senti interesse no livro logo após, mas caiu no esquecimento. Daí passei a ouvir e ler muitas pessoas falando sobre o Chuck Polahniuk, o filme mudou muita coisa em mim, desde minha visão do mundo, como meu senso crítico e até minhas atitudes. Quando fui ler o livro, fui surpreendia novamente:
Clube da Luta
Primeiro vou começar falando sobre a narrativa de Chuck Palahniuk que é muito intensa – ela põe em prática, de uma maneira extremamente fiel, o que é ser “primeira pessoa”. Ao descrever diálogos com a narrativa de Jack ( título que os fãs do filme dão ao personagem principal, que sempre se diz ser “alguma coisa do Jack”), o livro torna-se, além de mais complexo, diferente e dinâmico, economizando páginas, descrições e tempo. Sacada genial do Chuck Palahniuk para prender a atenção do leitor.

Bom, Jack tem insônia e tem sérios problemas para dormir, por isso procura um médico, e a resposta do médico é indicar a ele grupos de apoios a pessoas com câncer, e depois de frequentar o grupo de apoio, ele consegue dormir muito bem, por isso ele começa a procurar muitos grupos. Nessa, ele encontra Marla Singer e nessa mesma
época ele conhece o Tyler Durden e após o apartamento dele pegar fogo, ele passa a morar com Tyler.

A construção dos personagens é magnífica. Chuck Palahniuk consegue nos enganar diversas vezes, como por exemplo: Tyler Durden – no início do livro, era só um cara que o Jack havia conhecido na praia. No meio do livro, esse mesmo personagem se mostra importantíssimo para a história. Marla Singer – é destacada por Chuck Palahniuk desde o princípio da trama, mas fica sumida durante boa parte do livro – o que não torna sua participação menos importante. A narrativa, como já comentada antes, extremamente pessoal de Jack, é completamente funcional, pois sempre mostra as reações dele diante dos acontecimentos do livro.

Clube da Luta
O clube da luta, é um clube onde as pessoas lutam (claro) mas elas lutam até que a outra pessoa peça para parar. O grupo começa a crescer muito o Tyler começa a recrutar pessoas e começa a fazer grupos com tarefas, ele começa a praticar atos contra a sociedade. O livro faz uma crítica muito legal sobre a falta de ideal dessa geração.

“Trabalhamos em empregos que não gostamos, para comprar um monte de coisa que não precisamos.”

1. A primeira regra do Clube da Luta é: não se fala sobre o Clube da Luta;
2. Considere a possibilidade de que Deus não goste de você, nunca lhe quis e, provavelmente, te odeia;
3. A propaganda fez com que as pessoas buscassem carros e roupas que não precisam. Gerações trabalhando em empregos que odeiam, apenas para que possam comprar coisas que não precisam;
4. Não queira ser completo, nada de querer ser perfeito. Pare de tentar controlar tudo e deixe o barco correr;
5. A camisinha é o sapatinho de cristal da nossa geração. Você veste quando conhece um estranho, dança a noite toda e depois joga fora;
6. Somos uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar. Não tivemos uma guerra mundial, não temos uma grande depressão. Nossa guerra é espiritual, nossa depressão são nossas vidas;
7. Apenas dois caras em uma luta e a luta deve durar o quanto precisar;
8. As coisas que você possui acabam possuindo você. Você só é livre pra fazer o que realmente quer depois que perder tudo;
9. Fomos criados através da TV para acreditar que um dia seriamos milionários e estrelas de cinema. Mas não nos tornamos isso, estamos muito, muito putos e, aos poucos, tomamos consciência;
10. Somos uma geração de homens criados pelas mulheres. Eu me pergunto se outra mulher é a resposta que precisamos;
11. Tenho pena desses caras trancados no ginásio, tentando ficar do jeito estipulado por Calvin Klein ou Tommy Hilfilger;
12. Seu emprego não é o que você é, nem o quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco. Nem o carro que dirige, nem o que tem dentro da sua carteira. Você é uma merda ambulante do mundo;
13. Você pega gordura animal e deixa o sebo endurecer, quando o sebo endurece, você tira uma camada de glicerina, adiciona ácido nítrico e temos nitroglicerina. Com mais nitrato de sódio e serragem, você cria a dinamite caseira.
Clube da Luta
Chuck faz muita crítica sobre a nossa sociedade consumista o que me fez pensar muito e vejo que é uma característica do autor.

“Você não é o seu emprego. Você não é quanto dinheiro você tem no banco. Você não é o carro que você dirige. Você não é o conteúdo da sua carteira. Você não é as calças cáqui que veste. Você é toda merda ambulante do mundo.”

Em determinado momento do livro, Tyler abandona Jack, e esse abandono é tão bem trabalhado – com Chuck Palahniuk sempre pondo Jack em situações onde ele necessita imediatamente da ajuda de Tyler, e a narrativa sempre mostra as reações de Jack para essa ausência do amigo – o que faz você sentir o mesmo que o personagem. E Chuck Palahniuk consegue distribuir muito bem a dose de humor, violência e inteligência, colocando todos esses elementos em uma única situação, mas em momentos distintos – como quando Jack derruba a gordura da mãe de Marla no chão: Chuck Palahniuk dá uma pausa, mostra o impacto que atingiu os dois personagens com calma e, em seguida, nos mostra um momento de humor, com Jack fugindo de Marla, e ambos correndo pela casa enquanto ouvimos os gritos dela e Jack dizer: “Não fui eu quem fez isso, foi o Tyler!”. Ou seja: primeiramente, um momento de tensão entre os dois personagens, já que a mãe de Marla é muito importante para ela e Jack/ Tyler estava usando a gordura dela para fazer sabão; depois, uma pausa, para o impacto do momento; em seguida o humor: Jack sai correndo com medo de Marla, enquanto esta grita com ele; e, pra finalizar, a inteligência: ele diz que quem fez aquilo não foi ele, e sim Tyler, um detalhe que no final do livro se mostra muito importante.
Clube da LutaClube da Luta
O final que o autor desenvolve, é completamente interpretativo, conversei com algumas pessoas que leram o livro e cada uma conseguir tirar uma conclusão do final, estaria mesmo Jack no céu? Ou o local que ele descreve como sendo o Paraíso é apenas um hospital? E o posfácio, o que dizer daquilo? Chuck Palahniuk descreve toda a repercussão do livro e do filme, detalhando que o livro resultou de uma tarde chata no trabalho – e de acontecimentos reais que o inspiraram. Simplesmente TOP DEMAIS!!

Claro 5 estrelas, recomendo demais.

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