16-02-2015

Mundo Novo #1

Livro que ao decorrer da história você vai se surpreendendo muito, e o final sempre com aquele gostinho de AH MAIS JÁ ACABOU, essa foi a minha experiência com Mundo Novo, primeiro livro da trilogia Mundo Novo do autor Chris Weitz. Eu sou apaixonada por distopias e estava muito ansiosa por Mundo Novo que veio com uma primícia bem diferente, onde todo mundo morre menos os adolescentes.

Há dois anos uma doença se alastrou e matou todos os adultos e as crianças do planeta. Só os adolescentes sobreviveram e, até onde se sabe, conseguiram isso graças a certos hormônios que são produzidos nessa idade. Se você um dia já imaginou como tudo seria se só existissem adolescentes e achou que tudo seria uma maravilha… Pense de novo. Não existe internet, nem energia elétrica e a carne é escassa, em contra partida, alimentos industrializados, e objetos praticamente inúteis ainda são encontrados aos montes. Numa realidade assim não é difícil que ocorram conflitos e a ordem ficou complicada, tendo as pessoas que se juntaram em grupos para sobreviver. Pelo menos até completarem 18 anos.

Sei que transformei a Doença em uma pessoa porque é muito difícil compreender a ideia de algo tão minúsculo quanto um micróbio nos derrotando.

A tribo de Washington Square, que conhecemos logo no começo do livro, é comandada por Wash. O problema é que quando ele completa 18 anos, começa a sentir os sintomas da doença e seu irmão, Jefferson, um dos nossos protagonistas (o meu favorito no grupo), acaba assumindo a liderança. Em meio ao luto e ao pedido de Wash de que fuja dali, já que a situação da sobrevivência por lá estava ficando cada vez mais difícil, Crânio, que de fato é um crânio muito entendido de tecnologia e ciência, descobre o resumo de um artigo científico escrito antes do caos começar que pode indicar uma cura para o vírus. O conflito de Jeff passa a ser entre ficar em Washington Square e viver por mais alguns anos ou colocar a si mesmo e a outros em perigo na busca de uma cura que pode nem existir. Ele, Crânio, Donna, e Peter saem numa perigosa jornada e mal podem imaginar no que vão encontrar pela frente.

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Assim que conseguem um pouco de estabilidade, as pessoas já começam a copiar as coisas como eram. […] É patético. É tudo igual. Os fortes pisando nos fracos.

Um destaque muito importante no livro, são as sacadas com o mundo real, como marcas famosas citadas no livro, elementos do universo literário, cinematográfico e tecnológico o que torna impossível não se identificar com o drama dos personagens.

E falando de personagens, todos são marcantes e cheios de personalidades e o meu favorito e que por coincidência é o principal o Jefferson que é um lindo, ele esta sempre querendo fazer a coisa certa, ele é todo romântico e é apaixonado pela Donna que é uma personagem que poucos gostam, desbocada, cética e possui um toque de humor negro, mas ao decorrer do livro, notamos o quanto ela é sensível.
Temos também os protagonistas, Crânio, Peter, Minifu, Ratso e outros que aparecem ao decorrer do livro, e tenho certeza que muitos ainda surgirão até o final da trilogia.

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O livro é narrado em primeira pessoa, que se intercala entre Jeff e Donna e é muito interessante perceber que até a estrutura da escrita muda dependendo do ponto de vista. Na de Jeff, por exemplo, ela é toda certinha seguindo todas as regras, enquanto na de Donna, as frases são mais curtas e as falas são indicadas pelo nome dos personagens que estão falando e o sinal de “:” e não por travessão, como é comumente usado. Até mesmo a tipografia (o estilo da letra) é diferente, bem como o modo de contar a história tem o jeitinho e reflete a personalidade de cada um.

E para quem não lembra do Chris Weitz,  ele dirigiu Lua Nova. Pois bem, Chris é mais conhecido pelos seus trabalhos como roteirista e diretor de cinema, e cada vez mais tenho visto profissionais desse meio enveredarem pela escrita e se darem muito bem. Não sei explicar direito, mas os últimos livros que li escritos por roteiristas são tão melhor trabalhados. Eles têm o cuidado de serem muito mais específicos com dados trazidos para a história e desenvolvem incrivelmente bem as cenas descritivas e principalmente as de ação, a ponto de realmente nos darem a impressão de estarmos vendo um filme.

O livro acaba no exato momento de deixar o leitor PIRANDO para saber o que virá a seguir e esperar ansiosamente pela continuação e aqui estou eu ansiosa para o lançamento do segundo livro. Vocês já perceberam que eu amei o livro, espero tê-los convencido a dar uma chance a esta maravilhosa e importante obra.

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